Design é identidade: Reflexões sobre o morar

Nossos objetos revelam o que valorizamos: memórias, relações e até mesmo a forma como enxergamos o mundo.

Sempre senti que a casa fala sobre nós, mesmo em silêncio. Quando entro em um espaço, percebo que cada detalhe carrega um pedaço da vida de quem mora ali. Pode ser a xícara que acompanha o café de todas as manhãs, o vaso com flores frescas ou aquele objeto guardado com carinho por anos. Pequenas escolhas que dizem muito mais do que imaginamos.

Na minha vida, sempre vi os objetos dessa forma. Eles não são apenas coisas. São memórias, sentimentos e símbolos de pertencimento. Já me mudei 14 vezes. Sim, parece exagero, mas algumas dessas vezes foram idas e vindas do mesmo lugar. Essas mudanças envolveram diferentes cidades, estados e até um país. A cada nova etapa, havia o mesmo ritual: organizar tudo o que eu tinha e decidir o que realmente valia a pena levar comigo. Perguntava se cada objeto era valioso o suficiente para justificar a dor de cabeça de ser carregado para um novo lar. Foi nesse processo que percebi, de forma muito clara, que os objetos são expressões de quem somos, do que sentimos e das memórias que guardamos.

É por isso que, ao criar para a Cos.me, nunca penso só na função prática. Penso na emoção que a peça pode despertar. O que você vai sentir quando tocar a superfície de um objeto? Que lembrança pode surgir ao olhar para ele em um dia comum?

Nós, brasileiros, temos uma maneira única de nos relacionar com a casa. Nossas histórias são feitas de encontros e misturas. Assim como famílias formadas por diferentes culturas e tradições, nossos lares também reúnem contrastes, cores, texturas e afetos. Essa diversidade torna cada espaço único e, ao mesmo tempo, profundamente familiar.

Por isso acredito que morar é muito mais do que decorar. É escolher, pouco a pouco, aquilo que faz sentido para nós. Objetos que atravessam fases, que mudam de cidade, que acompanham nossos rituais diários e que nos lembram de quem somos.

Na Cos.me, cada peça é pensada para se tornar parte dessa narrativa pessoal. Porque a casa não é apenas onde vivemos. É onde nos reconhecemos.